Torneiros mecânicos e o futuro



A destruição criativa é um conceito que descreve o processo de inovação em uma economia de mercado em que novos produtos destroem empresas velhas e antigos modelos de negócios. Cuidado para sua empresa não ser mais uma a sucumbir.

Na década de 70 o movimento sindical ganhava ímpeto junto com a industrialização e o “milagre econômico”, particularmente no ABC paulista. Esse cenário, onde predominavam relações de trabalho bastante desiguais, somado ao pano de fundo da ditadura militar então vigente no país, foi o caldo de cultura que fez com que lideranças representantes dos operários emergissem no cenário político.

Ser um torneiro mecânico na década de 70 era sinônimo de algum prestígio, posto que na ausência de equipamentos de CNC programáveis, a qualidade de peças usinadas (muitas vezes matrizes) dependia da habilidade manual e conhecimento técnico deste tipo de profissional. A categoria era numerosa nas novas indústrias que ganhavam importância na época, particularmente as de bens de consumo, tais como eletrodomésticos e eletroeletrônicos, assim como a automotiva.

O tempo passa, o Brasil se industrializa, se redemocratiza, se globaliza. A revolução da microinformática se faz presente, particularmente após o governo Collor, que abre o mercado a importações. Deste momento em diante, o paradigma tecnológico muda, com a introdução de máquinas ferramenta programáveis. O antigo torneiro mecânico, hábil e ágil, torna-se caro, lento e obsoleto. A competição vinda do leste asiático, inicialmente do Japão (junto com o sistema Toyota, que altera toda cadeia de fornecimento), depois da Coreia e por fim da China torna o discurso por garantia de emprego completamente arcaico.

Em tempos de Indústria 4.0 , terceirização e Lean Manufacturing , há de se perguntar que tipo de profissional é necessário para que nossas indústrias nacionais estejam em uma posição competitiva no futuro.

A superação de relações de trabalho abusivas foram conquistas importantes, mas nada que nossos sindicatos possam fazer fará o tempo parar. O novo profissional de mecânica é alguém capaz de lidar com tecnologias emergentes, onde quer que elas estejam. Deve falar línguas, conhecer normas técnicas internacionais e, sobretudo, ser um empreendedor, seja dentro ou fora da empresa. Simplesmente não há mais espaço para um “operário”. Robôs e sistemas de controle numérico fazem este papel com muito mais competência.

A indústria brasileira vive um momento de inflexão. Ou se apega a defesa de empregos insustentáveis, fabricação de tecnologias obsoletas a custos pouco competitivos e morre, ou inova, através de associações com líderes globais, organizações enxutas e produtivas e criação de modelos de negócio capazes de incorporar valor além das fronteiras historicamente entendidas como atribuição de uma ferramentaria.

O cantor Cazuza dizia que “o tempo não para”. Aprendamos com a engenhosidade dos torneiros mecânicos do passado a lidar com os desafios do futuro. Empregos sofrerão, carreiras serão destruídas e empresas não resistirão. Mas, como dizia Schumpeter , estamos vivendo um ciclo acelerado de destruição criativa.

Fonte: www.revistaferramental.com.br

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